Blog · Implantodontia
Perdi um dente há anos, ainda dá para colocar implante?
Por Dr. Marcos Vinícius · Especialista em Implantodontia
Na grande maioria dos casos ainda dá. Os anos sem o dente reduzem o osso daquela região e deslocam os dentes vizinhos, o que torna o tratamento mais elaborado, raramente impossível. Quem dá a resposta definitiva é o exame de imagem, e quando falta osso existem caminhos, começando pelo enxerto.
Essa pergunta quase sempre chega com um pedido de desculpas embutido. "Doutor, eu perdi esse dente há uns oito anos, acho que agora já era." Quero tirar essa culpa da mesa logo de início, porque ela não ajuda em nada e costuma adiar ainda mais a decisão.
O que acontece no lugar do dente que saiu?
Vale entender por que o tempo pesa. O osso da arcada existe, em boa medida, para sustentar raiz de dente. Quando a raiz sai, aquela região deixa de receber o estímulo da mastigação e o corpo começa a reabsorver o osso que ali estava. Isso acontece mais rápido nos primeiros meses e depois segue num ritmo mais lento, ano após ano.
Ao mesmo tempo, os dentes ao redor se mexem. O vizinho começa a se inclinar para o espaço vazio, e o dente da arcada oposta, que não encontra mais ninguém para morder, desce ou sobe procurando contato. Depois de anos, o buraco que parecia estático virou um espaço torto, com altura de osso menor e vizinhos fora de posição.
O que o exame de imagem responde?
Nada disso se avalia de olho. Eu preciso do exame de imagem para medir duas coisas: quanta altura de osso sobrou naquele ponto e qual a espessura dele. Também olho a distância até estruturas que precisam ser respeitadas, como o seio da face na arcada de cima e o nervo na arcada de baixo.
Com essas medidas na tela, o planejamento deixa de ser opinião. Eu consigo dizer se o implante entra direto, se é preciso recuperar volume antes, qual comprimento e qual posição fazem sentido e quanto tempo o caminho inteiro deve levar. É por isso que não dou resposta definitiva por mensagem: sem a imagem, qualquer resposta é palpite.
E quando falta osso, o que existe?
O enxerto ósseo é a alternativa mais conhecida, e ele resolve boa parte dos casos em que o volume diminuiu. A ideia é simples de explicar: acrescenta-se material que serve de andaime para o seu próprio osso se reorganizar naquela região, e depois de um período de cicatrização o implante é instalado num terreno melhor. Em alguns casos o enxerto e o implante acontecem na mesma cirurgia, em outros é preciso separar em duas etapas.
Nem sempre, porém, o enxerto é o caminho. Às vezes uma pequena mudança na posição ou na inclinação do implante aproveita um osso que estava ali do lado, e o caso se resolve sem etapa adicional. Por isso eu evito prometer ou descartar enxerto antes de ver a imagem. Quem decide é a medida, não o hábito.
O vizinho torto entra na conta
Aqui entra uma vantagem de quem faz as duas especialidades. Quando o espaço fechou porque o dente do lado se inclinou, colocar um implante espremido ali significa um dente novo com formato estranho e uma mordida que não distribui força direito. Em parte desses casos, eu proponho uma etapa ortodôntica antes, só para reposicionar o vizinho e devolver ao espaço a largura correta.
Parece um rodeio, mas é o oposto disso: é o que faz o dente novo durar e parecer natural. E, como tudo acontece na mesma clínica, do planejamento à coroa definitiva, você não precisa ficar sendo encaminhado de um lado para outro entre as etapas.
Perguntas que ouço no consultório
Passou muito tempo, ainda dá para fazer implante?
Na maioria dos casos ainda dá. O tempo costuma tornar o tratamento mais elaborado, não impossível. Quem responde é o exame de imagem, que mede quanto osso sobrou em altura e em espessura naquela região.
E se eu não tiver osso suficiente?
Existem caminhos. O enxerto ósseo recupera volume perdido, e há também variações de técnica e de posição que aproveitam melhor o osso disponível. O plano do seu caso sai do exame de imagem.
O dente vizinho que entortou atrapalha?
Pode atrapalhar, porque ele invade o espaço onde o dente novo precisa nascer. Em parte dos casos eu resolvo isso com uma etapa ortodôntica antes do implante, para reabrir o espaço correto.
Sou diabético ou fumante, posso fazer implante?
Isso é avaliado caso a caso, com atenção. Diabetes bem controlada costuma não impedir o tratamento. O cigarro atrapalha a cicatrização e aumenta o risco de complicação, e esse ponto eu discuto abertamente com o paciente antes de planejar.
Dói para colocar implante?
A cirurgia é feita com anestesia local e costuma ser mais tranquila do que a maioria imagina. O pós-operatório é acompanhado de perto, com a medicação adequada ao seu caso.
Se você convive com um espaço vazio há anos e já se conformou, vale pelo menos medir o terreno antes de desistir. A imagem costuma trazer notícia melhor do que a expectativa.
Veja a página completa sobre implantes dentários, do exame à coroa definitiva.
Continue lendo: o que é a cirurgia de carga imediata na prótese protocolo e como escolher entre protocolo e dentadura.
Quem escreve: Dr. Marcos Vinícius Coelho Vidigal Martins, CRO-MG 39.405, ortodontista e implantodontista em Ipatinga, Invisalign Top Doctor desde 2019. Atendo na Clínica AMA, no bairro Cidade Nobre, clínica de família que reúne mais de 1.300 avaliações com nota 5,0 no Google.