Blog · Ortodontia
Invisalign funciona para caso grave ou só para caso simples?
Por Dr. Marcos Vinícius · Especialista em Ortodontia · Invisalign Top Doctor desde 2019
Sim, na maioria das vezes funciona. O que as pessoas chamam de caso grave, dentes muito apinhados, girados ou com a mordida fora de posição, costuma ter caminho com alinhador quando o plano é bem desenhado. Os limites reais são poucos, e quem responde pelo seu caso é o escaneamento, não a foto.
Recebo essa pergunta quase toda semana, e quase sempre acompanhada da mesma frase: "doutor, o meu caso é muito complicado, acho que alinhador não resolve". Muita gente chega ao consultório já convencida de que o alinhador transparente é um tratamento leve, para quem tem só um dentinho fora de lugar. Entendo de onde vem essa ideia, mas ela está desatualizada.
O que as pessoas chamam de caso grave?
Quando alguém me diz que o caso é grave, normalmente está falando de uma destas situações: dentes muito apinhados, sem espaço na arcada; um dente girado quase de lado; espaços largos entre os dentes; mordida em que os de cima passam muito à frente dos de baixo, ou o contrário; ou ainda dentes que não se encontram na hora de morder.
Nenhuma dessas descrições, sozinha, decide alguma coisa. Grave na conversa do dia a dia e complexo do ponto de vista ortodôntico são coisas diferentes. Já tratei sorrisos que a própria pessoa achava impossíveis e que pediam um plano relativamente direto, e já vi sorrisos que pareciam quase certos e que exigiram muito mais engenharia do que aparentava.
O que o alinhador consegue fazer hoje?
O alinhador sozinho é só uma placa de plástico bem ajustada. O que faz o dente se mover na direção certa são os recursos que eu acrescento ao plano. Os principais são dois. Os chamados attachments são pequenos apoios do mesmo material e da mesma cor da restauração, colados no dente, que dão à placa um ponto de pega para empurrar ou girar aquele dente específico. E os elásticos, ganchinhos que ligam a arcada de cima na de baixo, corrigem a relação entre elas.
Com esses recursos, o repertório ficou grande. Apinhamento acentuado, dente girado, correção de mordida, fechamento de espaços amplos e até casos com extração entram na conversa. A cada geração do produto, movimentos que antes eu não tentaria com placa passaram a ser previsíveis. É por isso que a resposta honesta hoje é: a maioria dos casos que as pessoas chamam de graves tem caminho com alinhador.
Em que situações eu ainda prefiro outro caminho?
Existem limites, e eu prefiro falar deles abertamente. Discrepâncias grandes entre o osso de cima e o de baixo, aquelas em que o problema não está no dente e sim no tamanho ou na posição dos maxilares, não se resolvem só movendo dente, com placa nem com bráquete. Nesses casos eu converso sobre uma avaliação conjunta com cirurgia ortognática, e o alinhador costuma entrar como parte do tratamento, não como a solução inteira.
Há também situações em que a saúde da gengiva e do osso ao redor dos dentes pede tratamento antes de qualquer movimento, e casos em que o paciente me diz com todas as letras que não vai conseguir manter a placa na boca a maior parte do dia. Nessa última hipótese, eu costumo indicar o aparelho fixo mesmo. Uma ferramenta que depende de uso não funciona bem para quem não vai usar, e fingir o contrário só gera frustração para os dois lados.
Como eu decido, na prática?
A decisão não sai de uma foto no celular, nem de uma olhada rápida na boca. Eu escaneio os seus dentes com o scanner intraoral, sem massinha de moldagem, junto isso ao exame de imagem quando o caso pede e monto o planejamento digital. Nele eu vejo, movimento por movimento, o que cada dente precisa percorrer, e consigo estimar se o alinhador dá conta daquilo com previsibilidade.
Você também vê. A simulação mostra o ponto de partida, o caminho e o resultado projetado. É a hora em que a pergunta do título deixa de ser genérica e vira concreta: não é mais "alinhador resolve caso grave", é "alinhador resolve o meu caso, e em quanto tempo". Quando a resposta é não, você ouve de mim um não com explicação e com alternativa.
Perguntas que ouço no consultório
Meu caso é muito torto, tem jeito com alinhador?
Na maioria das vezes tem. Dente muito girado, apinhamento acentuado e espaços largos estão dentro do repertório do alinhador quando o movimento é bem planejado. O que define é a avaliação com escaneamento, não a aparência da foto.
Caso grave demora muito mais tempo?
Costuma demorar mais do que um caso simples, sim, porque há mais movimento a fazer. A previsão de tempo do seu caso aparece no planejamento digital, antes de você decidir qualquer coisa.
Preciso arrancar dente para fazer Invisalign?
Depende do espaço disponível. Existem recursos para criar espaço sem extração, e existem casos em que a extração continua sendo o caminho mais previsível. Essa decisão é feita na avaliação, com imagem, e explicada antes de começar.
Se meu caso for complexo demais, o senhor avisa?
Aviso. Quando o alinhador não é a melhor ferramenta para o que o seu caso precisa, eu digo isso na avaliação e apresento o caminho que considero mais seguro, mesmo que seja o aparelho fixo ou o encaminhamento para uma avaliação conjunta com cirurgia.
Se você vem adiando por acreditar que o seu caso passou do ponto, vale fazer a avaliação antes de concluir isso sozinho. Na maioria das vezes, a conversa termina melhor do que a pessoa esperava.
Veja a página completa sobre o Invisalign, com o passo a passo do tratamento.
Continue lendo: como eu decido entre aparelho fixo e Invisalign e quanto tempo dura o tratamento com alinhador em adulto.
Quem escreve: Dr. Marcos Vinícius Coelho Vidigal Martins, CRO-MG 39.405, ortodontista e implantodontista em Ipatinga, Invisalign Top Doctor desde 2019. Atendo na Clínica AMA, no bairro Cidade Nobre, clínica de família que reúne mais de 1.300 avaliações com nota 5,0 no Google.